INCESSANTE BUSCA
(Paráfrase de Isaac Bashevis Singer)
Talvez não seja mais que uma metáfora
Aquilo em que sinceramente penso acreditar:
Na retaguarda de todas as ilusões,
Um ser superior há de se encontrar.
Deus! Como será? Onde, quando e como Ele nasceu,
Se na base da criação Ele já está?
Embora nem de longe a ciência
Ou a religião possa explicá-lo,
Eu o idealizo em Sua Onipotência,
Em Sua Onisciência,
Em Sua Presciência,
Dando origem e linguagem,
Condição e formato a coisas e deidades.
Vejo-O forjando múltiplas e severas forças,
Outras já moderadas,
Mas estéreis jamais!
Escrito por Nilson Patriota às 09h17
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INCESSANTE BUSCA (continuação)
Vejo-O construindo
Inacessíveis e caóticos mundos estelares
A girar como átomos no centro da fornalha
Ou s se desfazerem em ritmo candente.
Deus – filho do tempo e autor de Si mesmo –
Que antes de começo já freqüentava o nada
Pois precede a fusão das espirais gasosas
Com que talvez haja se iniciado a criação.
Artífice da Consciência Cósmica
Deu vida ao Universo
Com lavas e metais em movimento
Enquanto modelava o Micro e o Macro
Fez o espaço-tempo com seus astros
De surpreendente gigantismo
Apropriado às formas siderais.
De que se vale Deus, em que se inspira,
Para equilibrar o fantástico Universo
Viveiro natural do milagre da vida?
Vale-Se Deus de primordiais e provectos arquétipos
Que deram seu modelo às gestações primevas?
Em que âmbula do tempo Se oculta
O Ser que amedronta e inspira esperança
E de cuja linhagem supomos proceder?
No caos universal Ele existe?
Quem sabe, numa estrela anã que não contém seu peso
E se faz antimatéria em um buraco negro.
Como chegar, porém, a qualquer conclusão?
Melhor é procurá-Lo dentro de nós mesmos,
Pois em nosso íntimo Ele decerto habita
Fazendo e desfazendo a Sua Criação.
Escrito por Nilson Patriota às 09h16
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CONVITE
O escritor Nilson Patriota convida confrades, amigos e leitores para o lançamento de seu livro “Noturno de Touros”- Poesias –, que acontecerá ao pôr do sol do dia 16 de novembro próximo, nas dependências do Iate Clube de Natal, vizinhanças da Rampa. O livro, impresso nas oficinas gráficas da Editora “Sebo Vermelho”, será mais um evento comemorativo dos 70 anos de fundação da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. Também contará com a prestigiosa presença da Comissão de Frente e da Bateria da Escola de Samba “Malandros do Samba”, à qual o autor inspirou o samba enredo do ano 2 000 e nela desfilou em Natal e em Touros como campeão do carnaval natalense. Nessa homenagem que presta a sua terra Nilson Patriota autografará seu livro a partir das 18:00h, esperando contar com a presença de todos os seus amigos e conterrâneos. Incorporam-se ao evento inúmeras instituições culturais a que pertence Nilson Patriota, entre elas a Academia de Letras, o Conselho de Cultura Estadual e o Instituto Histórico e Geográfico do Estado.
Escrito por Nilson Patriota às 12h06
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UM TEMA PALPITANTE
Recentes e dramáticas evidências arqueológicas, etnográficas e lingüísticas vêm confirmar o que, desde 1926, um historiador austríaco, de aspecto visionário e pronúncia meio tantanguê, chamado Ludwig Schwennhagen, registrou fartamente em artigos de jornais e nas páginas de um livro bizarro e, no entanto, erudito, intitulado “Antiga História do Brasil – de 1 100 a.C. a 1 500 d.C.” Ludwig foi arauto de muito do que hoje está sendo revelado pela historiografia não engajada. Porém naquela ocasião, diga-se de passagem, sua tese, afirmando que foram os Fenícios os primeiros a chegar à costa do Brasil, no tempo do Rei Irã, o Mercador, não mereceu consideração nem respeito por parte de nossos intelectuais. Mas seu enunciado, por mais que nos pareça discrepante da História oficial, serviu, provavelmente, para aguçar a curiosidade e o interesse de cronistas menos bitolados e capazes de considerar possíveis travessias atlânticas dessa natureza. Mesmo assim sua afirmativa restringiu-se ao âmbito cultural de estados como Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, por onde ele andou a procurar petróglifos indicativos da presença fenícia em solo brasileiro. Entretanto, por deficiência dos meios científicos e culturais dos citados estados, naquela época, Ludwig não pôde arregimentar adeptos capazes de tornar conhecidas suas “profecias”. Desse modo o assunto estacionou sem haver atingido o almejado objetivo. Contudo, deve ter servido de incentivo para exames mais aprofundados da pré-história brasileira. Poucos, porém. Longe do eixo Rio/São Paulo, onde nasceram e se desenvolveram as instituições voltadas para a Arqueologia e a Etnografia, as idéias de Schwennhagen não prosperaram. Mas voltaram à baila, em 1969, depois que o professor Cyro Gordon, de Brandeis University, de Massachusetts, EUA, procedeu à decodificação da inscrição fenícia de Pouso Alto, por ele considerada fenícia. Por esse tempo, porém, Ludwig já se encontrava esquecido, pois silenciara e desaparecera, sabe Deus onde, sem legenda ou grinalda a lhe ornar a fronte sonhadora. Fazia jus, no entanto, a uma, nem que fosse de hera. Já por seu inusitado sonho, já por seu persistente trabalho, desenvolvido ao longo de cinqüenta anos, nos grotões do Nordeste, do Norte e Centro-Oeste brasileiros. E esse livro foi o seu legado. Esperemos, agora, que surja, a partir de suas teses, alguém devidamente qualificado para internacionalizar as precursoras teorias nele esboçadas. Atualmente, há quem acredite que o historiador austríaco foi injustiçado, morrendo sem ter reconhecidos os principais aspectos do seu pioneirismo. Seu livro andou perto de ser injustamente considerado uma descabida ingerência em assuntos da pré-história brasileira. Judeu e austríaco, fugindo ao flagelo do anti-semitismo, Schwennhagen ficou ignorado da intelectualidade brasileira. Diferente de seu compatriota, o grande Stefan Zweig que, abalado pela tragédia da II Guerra Mundial, acabou suicidando-se, em Petrópolis, RJ. Do fim de Ludwig não há quem conheça. Isolado nos sertões nordestinos, onde viveu a pesquisar a tênue silhueta de seus sonhos, adormeceu para sempre dentro duma cavernas, ou subiu pela última vez um paredão marcado por fascinantes símbolos. Infelizes, ambos os escritores chegaram ao país errado que, a partir do surto do nazi-fascismo europeu, passou a conviver com uma casta de ardorosos simpatizantes do totalitarismo, casta esta que contou com militantes talentosas, de notório saber, como o escritor Plínio Salgado, e muitos outros. Essa gente, que no mínimo nos pareceu ingênua em matéria política, adotou gratuitamente as execráveis maneiras do nazismo ufanista e seus risíveis gestos e ditos, sentindo-se em sua pátria como na antecâmara do III Reich alemão. E assim o anti-semitismo aqui também proliferou. Schwennhagen, pesquisador postulante de teses antropológicas contrárias à teoria do conde Gobineau, adotada pelos nazistas, estava convicto da presença de marinheiros do Velho Mundo na Antiga América, notadamente marujos Fenícios. E assim passou a ser malvisto por aqueles que o admitiam roubando a glória de nomes inabalavelmente estratificados como os de Cristóvão Colombo, Pedro Álvares Cabral, Américo Vespúcio, Vicente Yáñez Pinzón e outros. Mas, além de reconhecê-los, Ludwig também não ignorava os avanços da antropologia, da etnografia e da lingüística histórica. Era em verdade um pesquisador dedicado, buscando explicação para inscrições rupestres que nada havia significado aos olhos dos nossos arqueólogos. Para eles, era como se tais inscrições tivessem nascido ao acaso, obra dos caprichos da Natureza, e não da ação e da inteligência do homem. Numa de suas premissas históricas, Ludwig buscou comprovar indícios de contatos entre provecta gente dos dois mundos. Tais interações teriam acontecido em fins da Idade do Bronze e ao longo da Idade do Ferro. Idéias intuitivas, com respaldo na tradição lendária dos índios da América e em intraduzíveis emaranhados de símbolos e inscrições rupestres.
Em 1926, Ludwig Schwennhagen esteve em Natal, capital do Rio Grande do Norte, visitando o historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo, que sobre ele publicou um comentário no jornal “A República”. Chegara à capital vindo do interior do estado, onde esteve examinando inscrições pré-históricas em cavernas de Acari, Carnaúba dos Dantas e Jardim do Seridó. Na mesma semana dirigiu-se a Touros e Estremoz, cidades nas quais ele julgou haver encontrar algo daquilo que procurava: indícios de milenar colonização fenícia. Dessa visita resultou uma Memória que, após ser publicada no jornal “A União”, de João Pessoa, PB, em 21 de janeiro de 1926, foi transcrita em “A Pacotilha”, de São Luís, MA, em 26 de janeiro. No dia 31 do mesmo mês, veio a ser publicada em “A República”. O manuscrito sobre Touros e Estremoz, faz parte, desde então, do acervo do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, onde continua à espera de alguém que resolva averiguar o que nele pode haver de proveito, já que recebeu de seu autor o título algo bizarro de: “Touros e Estremoz – Antigas Estações Marítimas do Extremo Nordeste Brasileiro”. Trata-se de mera fantasia, ou nela se oculta a secreta entrada para o conhecimento dessa legendária colonização fenícia? Nada podemos responder. Contudo, depois que os estudos do professor Cyro Gordon, vindos à luz em 1969, dão como certa a presença fenícia na América, continuar achando que Ludwig Schwennhagen foi um visionário será o mesmo que não admitir a existência de elos entre povos marítimos do Velho Mundo e algumas populações da Antiga América. Com o material de que já se dispõe, não tardará o dia em que será provado o papel do Atlântico como corredor cultural dos povos marinheiros do Velho Mundo e algumas populações nativas da América. Povos que singravam os mares baseados na posição dos astros, como exemplarmente fizeram os polinésios e os melanésios ao tempo em que povoavam arquipélagos e ilhas do Pacífico, algumas das quais distando mais de mil quilômetros entre si.
Escrito por Nilson Patriota às 08h56
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ANTIGAS ROTAS – II
Desde tempos remotos a Europa esteve ligada ao Oriente por caminhos imemorialmente abertos por conta da curiosidade e da inquietação humanas. Alguns desses caminhos tiveram importantes papéis durante as migrações de pequenos grupos de nômades de ambos os hemisférios. Também obedeceram a outras destinações. Às vezes, porém, perdiam sua finalidade, eram abandonados e ficavam esquecidos, até que novamente fossem redescobertos e voltassem a ser utilizados.
Ligando Oriente e Ocidente destaca-se uma antiga e importante via. Por sua extensão e funcionalidade, foi de suma importância ao tráfico de homens, plantas e animais capazes de adaptação. Mas tarde, quando a civilização já havia se fortalecido nas cidades, e alguns reinos independentes disputavam entre si a hegemonia do poder político, territorial e econômico de países já habitados ou habitáveis, o comércio internacional tornou-se necessário. Seu desenvolvimento foi possível por meio das caravanas mercantis. Algumas dessas caravanas, constituídas de centenas de camelos, passaram a cruzar fronteiras e acabaram descobrindo que a Terra não era tão ignota como então se pensava. Para os chineses, que já então se julgavam civilizados, os povos do Oeste passaram a constituir irresistível curiosidade. Para o Ocidente, os povos do Leste precisavam ser melhormente conhecidos. O homem, desde o Paleolítico migrou de uma a outra face do Planeta, povoando-o por toda a parte. Acompanhando a migração dos animais de que se alimentava, ou apenas por desejar saber o que poderia existir por trás das montanhas com seus picos gelados ou além dos escaldantes desertos que, ao cabo de inumeráveis tentativas, terminaram sendo devassados. Em épocas mais recentes, quando o camelo e o cavalo passaram a servir de besta de carga ao ser humano, as enormes distâncias, assim como as inóspitas regiões, seriam ultrapassadas. Ao tempo do Celeste Império Chinês, em plena dinastia Han, o imperador Wu Di, o filho do céu (141-87 a.C.), resolveu incentivar e pôr em execução seu projeto de expansão política e comercial. Tinha ele amplo objetivo. Um de seus itens era conhecer e catalogar os povos dispersos do oeste, os quais desde muito viviam se atirando contra a muralha da China, forçando as fronteiras do Império, desejosos de participar das vantagens da civilização. Um outro item dizia respeito ao comércio internacional. Wu Di desejava levar ao exterior a produção artesanal chinesa. Um dos produtos a ser exportado era a seda, tecido cuja textura e estamparia concentravam encanto e poder de levar ao êxtase a nobres e ricaços, suas esposas, filhas e concubinas. Convencido da importância das medidas por ele tomadas para integrar o Império Chinês às comunidades de além fronteiras, o Imperador ordenou a seu concidadão e embaixador Zhang Qian uma missão: ele se poria à frente de uma caravana, recebendo expressa incumbência de descobrir e reconhecer os esparsos e desconhecidos povos do Oeste. E, enquanto efetuasse seus negócios comercias, cuidaria de coletar importantes informações sobre questões militares, de economia, de lingüística e de parentescos tribais. Na verdade ele desejava conhecer os aguerridos grupos que, de forma obstinada, há muito se chocavam contra a muralha da China em frustradas tentativas de invasão. Culto e cheios de estratégias, o governante chinês estava decidido a afastar aquela gente bárbara de suas fronteiras. Surpreendente foi o impacto causado pela primeira caravana sobre os povos por ela contatados e até mesmo ante os próprios chineses, quando de seu regresso. A Corte ficou pasma pelo que ignorava a respeito do mundo. Tal qual faria Marco Polo mil e quatrocentos anos depois, Zhang anotou minuciosamente o que viu, o que ouviu e o que realizou. Acabaria sendo reconhecido como grande viajor e grandemente homenageado.
Palmilhada desde tempos imemoriais, a partir do século I a.C. a Rota da Seda tornar-se-ia indispensável à política, ao intercâmbio religioso e de idéias. O caminho tinha início em Chang’an, atual Xiam, adentrava-se pelo corredor de Ganso até Dunhuang, no deserto de Gobi, e dali seguia até a Porta de Jade ( Yumegun), para então se dividir em dois ramos bordejando ao norte e ao sul o deserto de Takla Makan. Penetrava na Eurásia e no Saara e alcançava a Europa em Ling-an (Roma). Essa rota tinha como base de sua existência uma séria de oásis situados a poucos dias de marcha entre si, os quais cercavam o Takla Makan. Ali a sobrevivência dependia exclusivamente dos rios subterrâneos alimentados pelas geleiras das montanhas. Estas, formando um semicírculo em torno do grande deserto, alimentavam-no com a água de seu desgelo. À medida que se intensificava o tráfico por essa Rota, os oásis deixaram de ser meros postos de repouso e reabastecimento das caravanas, ganhando importância como centros comerciais. Alguns deles evoluíram, com o passar dos séculos, para a categoria de cidade. Alguns se transformaram em reinos independentes. Sempre houve, porém, a incidência de bandos armados investindo contra as caravanas ao longo do caminho, sobremodo nas inóspitas regiões próximas ao Tibet, tornando indispensável um permanente acompanhamento de homens fortemente armados. Por vários motivos, inclusive assaltos e mortes, o preço das mercadorias transportadas sempre foi elevado. Em razão dessa insegurança na estrada surgiu o estímulo ao desenvolvimento de rotas marítimas. Isso não impediu, contudo, que a Rota da Seda continuasse prosperando. Por ela eram transportados inúmeros produtos, tanto do Oriente quanto do Ocidente. As caravanas que demandavam a China iam carregadas de ouro e metais valiosos, de tecidos de linho e lã, marfim, coral, âmbar, pedras preciosas, asbesto e cristal. As que procediam da China levavam peles, cerâmica, ferro, lacas, canela, armas, espelhos, especiarias em geral e, principalmente seda, que os romanos estavam firmemente convictos de que crescia nas árvores. Plínio afirma: Os “seres (chineses) são famosos pela lã que extraem de seus bosques”. Virgílio estava convencido de que “os chineses desemaranham as folhas para obter sua delicada pelúcia”. A Wu Di, antes que a qualquer outro, deve-se o incremento à Rota da Seda, uma estrada de 14.500 km. A este assunto, mais tarde voltaremos com novos detalhes.
Escrito por Nilson Patriota às 08h55
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