A BUSCA DE UM CAMINHO
VII – Finalmente a Conquista
Qualquer pessoa podia armar um navio e mandá-lo à costa africana para pilhagem e pirataria de qualquer tipo, sobretudo de escravos. Para legalizar tal negócio apenas se fazia necessário que se destinasse a quinta parte dos lucros desse comércio com a Coroa. País católico, Portugal exercia importante papel junto à cúria Pontifícia. Seus principais privilégios provinham das bulas papais, como a “Romanus Pontifex” endossando a partilha das terras descobertas. Outra bula viria conceder à Ordem de Cristo todas as terras recém-descobertas e a serem descobertas. Em troca dos favores recebidos da Cúria Pontifícia, Portugal passa quase a metade de suas terras para a Igreja. Já no século XV, mais de um terço das terras portuguesas pertencem à Cúria. Se a Coroa era pródiga com a Santa Sé, a realeza e a nobreza não ficavam atrás. Juntas canalizavam constantes doações. Enquanto as descobertas se intensificam na costa ocidental da África, o próprio rei começa a participar do comércio. Em 1482, Dom João II envia sua primeira expedição exploradora, tendo no comando da mesma o navegador Diogo Cão. Durante dezoito meses foram descobertas as terras situadas nos territórios que, depois, pertencerão a países como Gabão, Congo, Zaire, e Angola. Nessa viagem se realiza a chantadura de um padrão de posse à margem do estuário do rio Zaire. Era um marco de pedra, tendo em um dos lados a insígnia do reino e a data da descoberta daquela terra. Do outro lado, o nome do navegador. A descoberta dos grandes rios africanos facilitaria o conhecimento sobre o continente e os povos que o habitavam. Diogo Cão chegou a enviar um navio através do Zaire conduzindo presentes para um poderoso soberano sobre o qual alguns nativos haviam feito referência. Em 1486, comandando três caravelas, parte para a costa da África Bartolomeu Dias. Entre os pilotos encontram-se Pero Alenquer, Álvaro Martins, Pero Dias, irmão de Bartolomeu, e João Santiago. Inicialmente, Bartolomeu Dias navegou à vista da costa. Após alguns dias, dobrou o cabo Padrão. Na altura da linha do Equador deixou para trás a nau dos mantimentos que, muito lenta, não conseguia acompanhar a flotilha. Dando continuidade à navegação, Bartolomeu Dias entrou na angra dos Ilhéus, onde colocou o seu primeiro padrão (denominado de São Tiago) à distância de setecentos e vinte km além do último descobrimento feito por Diogo Cão. A partir dali, as condições climáticas o obrigam a se deslocar com a armada para o sul, singrando um mar de ondas e ventos que faziam os navios se desviarem do curso traçado. Por três dias a frota velejou debaixo de temporais. Quando o tempo melhorou, viram os lemes para leste e procuram a terra que haviam perdido de vista durante a última semana. Vendo Bartolomeu Dias que não a encontrava, resolveu rumar para o norte, fundeando numa angra a que deram o nome de “Vaqueiros”, em virtude do gado avistado. Dali se retirando com vento oeste, os navios alcançam a baía da Lagoa. Fundeando, parte dos marinheiros vai à terra firme e efetua a chantadura do segundo padrão, que recebe a denominação de “Santa Cruz” (1486). Ao calcular a posição da enseada, Bartolomeu Dias verifica que se acha a 33º/34º S, situado, portanto, a leste do cabo das Tormentas. Havia, pois, contornado o cabo sem o ver. Vencido o ponto estratégico do contorno do continente africano, escancara-se o caminho marítimo para as Índias, possibilitando a retomada do comércio das especiarias e novas descobertas. Corria o ano de 1487.
Escrito por Nilson Patriota às 08h06
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