Continuação...
Os matizes da fl ora molhada se mostravam.
Ah, como posso esquecer tua presença,
Se me infundiste o gosto das lembranças?
Repousa minha mãe, das dores que sentiste,
Do afã, do cansaço, dos reveses da sorte,
Da magoada solidão dos anos.
Descansa, indiferente às incertezas
Das coisas que ainda estão por vir.
Não encoves a boca num rito de tristeza,
Pois não há sofrimento a perturbar teus dias.
Sei que não te sentes bem sob o mármore frio
Nem sob a terra úmida que decompõe tua beleza.
De algum modo mãe, tens sido compensada:
Já renasces nos lírios, nos frutos sazonados,
Na corrente translúcida, nas asas da planície,
No rumor solitário da viração na mata.
Repousa minha mãe, nesta doce saudade,
Que me enternece a alma ao me lembrar de ti.
No nicho de resignação do fi lial afeto
Em surdina ecoa a voz com que acalentavas
Os teus fi lhos, quando da clara manhã de tua vida.
Escrito por Nilson Patriota às 10h03
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