MEU PAI
Pela verde paisagem segue o inverno,
E na tarde molhada cuido pressentir
(Como a lembrança que se dispersa ao fi nal da jornada)
Os inconfundíveis passos de meu pai.
Pressurosos, porém, seus passos se dissipam,
Levados pela chuva, as lufadas do vento,
Enchendo-me de apreensão e de saudade.
Que metáfora a alma transmigrante
(Que primitivas versões já apregoam)
Propõe ao nosso ser acerca do Além?
Se ao menos esclarecesse o mistério,
E nos livrasse da insistente dúvida
Que se instala em nosso âmago e o domina
Na forma de sobrenaturais intuições,
Receios, medos, apreensões, sobrossos?
Oh, inútil peleja! Oh, pertinaz agouro!
A que propósito serve a humana mente
Que parece querer elidir tantos enigmas
Quando sequer desvenda os próprios sonhos?
Por que ela nos faz persistir nessa esperança,
Quando o senso comum propõe o axioma
Milenarmente aceito e apregoado, pois
“O que vem do pó ao pó há de voltar?”
Avara e caprichosa a sorte negaceia
A uns favorecendo com digno aprendizado
Enquanto a outros decide olvidar.
Se a mim ela esqueceu, tornou-me compensado,
E mais que as escolas a que fui conduzido
Escrito por Nilson Patriota às 11h23
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