A CASA
Bela casa de argila, pedra e cal,
Onde morei e vi nascer meus fi lhos,
Que a deixaram emudecida e triste
Quando partiram a conquistar seu mundo.
Lar onde o sorriso da mulher amada
Encheu de intenso júbilo cada dia,
Pondo em fuga presságios, nostalgias,
Permutando pesar por alegria.
Não te abandono ao te deixar, agora,
Antes te amo como aos seres
Que ao nosso destino se associam,
Se de nossas vitórias partilharam.
Quero rever, em calma, cada canto,
Cada ponto do teu espaço desfrutado,
E das janelas estrelas contemplar,
Como outrora fazia em frescas madrugadas.
Um dos primeiros a ocupar teus cômodos
Agora sou o último morador a te deixar
Quando encanecido e solitário parto
Para uma nova vida começar.
Vozes e passos ecoam em tuas salas,
Nos luzentes degraus de tua escadaria
Que os risos infantis tumultuavam
Do alvorecer ao término do dia.
Sigo enquanto fi cas digna, desejável,
Materna e acolhedora como ao tempo
Em que à nossa rotina os livros se juntavam,
Escrito por Nilson Patriota às 09h26
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