ELEGIA A UM HOMEM REVERENTE
Com justo apreço a vida te prodigou
A luz da inteligência e do saber.
Foste sarcástico, mas amado por todos,
Irônico, amável, irreverente foste.
A curiosidade fi lológica deu-te
Entre outros idiomas o Latim que amavas,
Porém a Filosofi a te fez compreender
A inconstante natureza humana.
Aos tolos tu brindaste com o teu irônico bem-querer,
E, moderado, zombaste da prepotência e da falácia,
Embora contribuindo para o infi nito poema
Que está sendo escrito desde que o homem é homem.
Vã não foi distinto cavalheiro, a obstinação
Com que desempenhaste teu papel de mestre.
Ergueste monumentos à dignidade
Ao estimular a honradez e a cultura.
Logo compreendeste que o ser humano é vário,
Pois se situa entre o profano e o sagrado,
Porque tem o cômico e o trágico em seu destino.
Pitágoras e Platão incrementaram outras teorias
Que, todavia, não desmerecem o aplauso
Ao reconhecimento do afeto,
À justa exaltação da bondade
Que foram a tua marca.
Viveste a ensinar
Sem que qualquer pensamento irrelevante,
Sem que qualquer gesto teu fosse menos benevolente
Do que aquele que do teu beneplácito se esperava.
Ciente da ordem e da perenidade da palavra,
Escrito por Nilson Patriota às 08h28
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