Continuação...
Onde estive a buscar o ancestral modelo
Da Anima cosmogônica em que se esboçou
Ao acaso, talvez, o sopro original
(Do qual nada se sabe por que nada contém)
Até se fazer Verbo e então tudo abranger.
Em conseqüência disso, e também sem querer,
Anáfora do que fui eu me tornei
Oriundo talvez de delirante sonho
Ou de mera fusão de gases e metais.
Um pobre ser humano em seu papel
Sem saber explicar sua mística ruína
De viver neste cosmo que encolhe e dilata
No oco espaço morto e no eterno vácuo,
Sem memória de mim nem de ninguém,
Girando, febrilmente, ardorosamente,
Em elípticas rotações, em círculos perfeitos,
Em formas helicoidais que se dilatam,
E por vezes se lançam em cônicos buracos
De negra convergência e de perenes vazios,
Sorvendo e recriando abismos siderais.
Sem jamais entender a humana presença
- Rastro destruidor por onde quer que passe
Qual formiguinha voraz que a tudo mata.
Que faço eu, então, nesse mundo de prodígios
Onde nascem e circulam planetas e galáxias
Morfológicos gigantes de formas desiguais,
Ovais ou achatadas, nascentes ou fi nais,
Dependentes apenas da ordem que expressam
Registrada nos genes da origem astral,
Escrito por Nilson Patriota às 08h09
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