Continuação...
Donos de mentes inclinadas
A acreditar sinceramente
No riso fácil das tais dentaduras postiças,
Sempre esmaltadas, sempre reluzindo,
E nas mentiras brutais,
Dos alegres farsantes,
Capazes de enganar os ouvidos burros
Com brandas melodias,
Tão sincopadas que se confundem
Com o som de fl autas doces, ou não,
E até com o trágico som das inúbias guerreiras,
Das temerárias profecias
Dos que exortam as almas
À ingênua e santa existência celestial,
À volátil promessa
Da recompensa no Juízo Final,
Coisas assim, que são anunciadas, repetidamente,
Por funileiros, feirante e crédulos,
Todos eles atentos às santas palavras
Do Padre Cícero do Juazeiro,
Da beata Mocinha,
Do visionário Antonio Conselheiro,
Que garantiram a salvação da alma,
Para depois da temporada de chuvas,
Que nunca chega ou demora a chegar.
A vida é essa, mas não devo reclamar,
Pois não assino ponto nem dou expediente,
Por que sou estagiário,
E estou de passagem.
Ora essa!
Escrito por Nilson Patriota às 09h43
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