CANTO DE ADEUS PARA JOSÉ
Intrépido, irrompias na estrada de Santos
Naquele fatídico fevereiro
De mil e novecentos e setenta e oito,
Uma segunda-feira de ameno carnaval.
Ginete de mãos possantes
Tiveste por hábito cavalgar
Entre montes e vales,
Como quando jovens fazíamos
Nas terras sertanejas do Inharé.
Agora, porém, o teu corcel era de ferro e flandres,
Dispondo de excelência de aerodinâmica
Concebida para romper o vento e consumir a estrada,
Conforme a predisposição de quem guiava.
Ao compasso das músicas carnavalescas
Tocadas pelo radio,
Tinhas em alta os teus deslumbramentos de poeta
Que sentia saudade da Natal muito amada.
Por isso, sem perceber que estavas a transpor
O limite que separa a massa da matéria
Da fl uidez suntuária da Eternidade,
Destino que nos é reservado,
Seguiste, impávido, o teu caminho
Até a fatal colisão.
Escrito por Nilson Patriota às 08h59
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