PADRÃO COLONIAL DE TOUROS
O Marco de Touros, o mais antigo padrão colonial do Brasil, foi chantado em território brasileiro (praia de Ubranduba, Touros, RN) no dia 7 de agosto de 1501 pela expedição manuelina comandada, segundo Câmara Cascudo, por Gaspar de Lemos, ou, conforme outros autores, por André Gonçalves. Por motivos atualmente mais que justificados, a tendência é se reconhecer o comando de Gaspar de Lemos 1. A convite de Dom Manuel I, e na condição de piloto ou cosmógrafo, fez parte dessa expedição o navegante florentino Américo Vespúcio 2.
No referido marco não figuram data nem inscrição. Porém, no terço superior de uma das suas faces, destaca-se a escultura em alto-relevo da cruz da Ordem de Cristo, armas e quinas dos reis de Portugal.
Os padrões coloniais tipificavam o domínio oficial da Coroa Portuguesa sobre suas colônias e possessões. Em 1483, em viagem exploratória na costa africana, o navegante português Diogo Cão chantou um desses padrões na foz do rio Zaire. A partir daí os padrões de pedra lioz passaram a substituir as cruzes de madeiras usadas para afirmar a autonomia de Portugal sobre as terras conquistadas ou descobertas para o serviço de difusão da fé cristã.
O primeiro registro do padrão colonial de Touros foi feito no final do século XIX pelo historiador pernambucano José Vasconcelos, em seu livro Festas Notáveis da História do Brasil.
A 7 de agosto de 1928, os historiadores Luís da Câmara Cascudo e Nestor dos Santos Lima (do IHGRN) foram ao local da chantadura do Marco de Touros, tomaram-lhe as medidas e dele fizeram completa descrição.
Em janeiro de 1972, o acadêmico Oswaldo de Souza, representante do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, esteve várias vezes na Praia dos Marcos 3, na intenção de convencer os moradores do lugar a concordarem com a transferência temporária do marco de Touros 4 para Natal. Após inúmeras gestões a população da localidade onde o monumento histórico se encontrava, acabou cedendo à argumentação do historiador Oswaldo de Souza.. Em Natal o marco foi exposto na Fortaleza dos Reis Magos, onde ainda aguarda o dia em que voltará ao lugar de sua primitiva chantadura.
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1) Era Gaspar de Lemos o piloto da nau enviada a Portugal pelo almirante Pero Álvares Cabra para levar a notícia do descobrimento ao rei Dom Manuel. Pelo menos 3 documentos escritos ele levava: “a carta do piloto anônimo, a carta de mestre João e a longa exposição do escrivão Pero Vaz de Caminha, com detalhes sobre a terra descoberta e os seus habitantes.
2) Américo Vespúcio, presente à solenidade de chantadura do Marco, afirma em duas de suas missivas que o desembarque na costa brasileira ocorreu a 7 de agosto. Mas na “Lettera”, outra missiva de sua autoria, ele revela que foi a 17 de agosto, o que me parece verdadeiro. O acontecimento teia acontecido após a expedição alcançado o cabo de São Roque no dia anterior, 16 de agosto de 1501.
3) Praia dos Marcos por que o padrão colonial se compunha de três peças: o marco propriamente dito e seus dois tenentes ou testemunhas feitas da mesma pedra de Lioz então abundante em Portugal.. Ubranduba era como primitivamente se denominava a praia em que foi o marco chantado..
4) Marco de Touros, por que a praia onde foi encontrado pertencia a esse município.