OS CANHÕES COLONIAIS DA PEDRA DO TOURO
É quase certo que a maioria dos estudantes do município de Touros desconheça a história do Fortim do Tourinho, de onde saíram os canhões coloniais atualmente vistos no pedestal próximo à Matriz do Senhor Bom Jesus dos Navegantes 1. Sabemos que os ditos canhões foram levados para Touros entre 1808 e 1812. Transportou-os o arquiteto Antonio da Silva Paula, tenente-coronel de engenharia, encarregado da defesa da costa das capitanias brasileiras nas duas primeiras décadas do século XIX. A instalação do Fortim ocorreu depois que José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, governador da Capitania do Rio Grande do Norte dirigiu memorial a Dom João VI, recém-chegado ao Brasil, prevenindo-o contra um possível ataque francês à costa brasileira. O relatório foi endereçado ao soberano a 20 de maio de 1808.
Como se sabe, o Tratado de Fontainebleau, assinada pela França e a Espanha, estabeleceu a divisão de Portugal e suas colônias ultramarinas entre os seus signatários. Temendo ser preso e humilhado, Dom João VI, rei de Portugal, se fez acompanhar de familiares e cerca de 20 mil cortesãos, embarcando à pressa para o Brasil e preservando assim a dinastia de Bragança. Menos de 24 horas depois da partida da Corte, numerosas tropas francesas, comandadas pelo general Junot, invadiram Lisboa.
Escoltada por quatro vasos de guerra britânicos, a armada que conduzia a Corte portuguesa dividiu-se no litoral brasileiro. Alguns navios aportaram ao Rio de Janeiro enquanto outros ancoraram à Bahia a 22 de janeiro de 1808. Num desses navios viajava o monarca português, que ao chegar deu início a uma nova era na história da colônia transformada em reino. Como a ameaça francesa não pudesse ser descartada, foram erguidos na costa vários fortins fortificados. O de Touros foi um deles. Outros foram instalados na praia de Ponta Negra, na Redinha, na enseada de Jenipabu e na enseada de Pititinga De todos esses fortins só o de Touros foi relativamente preservado.
Do desembarque de Luiz Barbalho, em 7 de fevereiro de 1640, haviam ficado alguns canhões, já então imprestáveis, ao longo da trilha por onde suas tropas seguiram de Touros à Bahia. Algumas dessas peças foram recolhidas e levadas a Touros, dando a impressão de que o fortim se achava bem artilhado, quando a realidade era outra. O povo brasileiro tem vivido de enganos.
1) Os canhões que restavam no fortim da pedra do Touro, foram levados em 1958 para o local onde hoje se encontra, por iniciativa do Prefeito João Severiano da Câmara, que mandou construir o pedestal onde hoje se encontram.
Escrito por Nilson Patriota às 09h24
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