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Visual da ponta do Tourinho, que teria dado origem ao nome da cidadeA CAPELA BARROCA DE TOURO 

Não tardou o momento em que a maioria dos habitantes do lugarejo deixasse suas choças e acorresse ao local onde a imagem se achava. Em poucos dias uma comissão foi despachada ao Senado da Câmara, na capital, levando a boa nova aos oficiais que ali serviam representando os cidadãos. Em fins do século XVIII a cidade de Touros era uma simples povoação de pescadores. Para chegar ao mar, onde efetuavam suas pescarias, necessariamente tinham que atravessar uma pinguela feita de troncos de coqueiro sobre o chamado Jequi, ou Maceió. A lenda conta que de madrugada três homens seguiam com os seus apetrechos de pesca em demanda do mar. Então foram surpreendidos pela presença de uma grande arca entrando barra dentro e ancorando lentamente à margem do dito rio, em um lugar próximo de onde futuramente surgiria a ermida de invocação ao Senhor Bom Jesus dos Navegantes.  Intrigados com o que presenciavam, os pescadores  procuraram saber o que continha a dita arca. Quem sabe não trazia mercadorias? Quem sabe se não conduzia riquezas em ouro?... Sem perda de tempo os três puseram seus trastes de lado e entraram na mansa corrente. A arca se achava cerrada. Mas, cheios de superstições e muito medo, conseguiram empurrá-la para um ponto enxuto do terreno. Então, usando toscos instrumentos, ergueram a tampa da mesma, tomando formidável susto.

 

Toda envolta em retalhos de branco linho a imagem de um Crucificado, do tamanho de um homem, encontrava-se cravada numa grande cruz. Impressionados com a inusitada descoberta, desistiram de pescar naquele dia e levaram em seus ombros a delicada imagem até o arruado, onde ficaram a mostrá-la a uns e a outros. Aqueles que a viam, emocionados caiam de joelhos e, cheios de instantânea fé, passavam a rezar e a louvar o  belo ícone. E assim acontecia com todos aqueles que viam a imagem.. da Capitania. No plenário do colegiado houve  grande celeuma. Alguns dos senhores vereadores quiseram ver in loco o fenomenal achado. Em poucos dias, a povoação regurgitava de curiosos e pessoas de fé que se ajoelhavam aos pés da imagem para rezar e fazer pedidos. 

 

Como a povoação  não dispunha de um lugar adequado para abrigar o santo em seu madeiro, logo puseram mãos à obra e erigiram um amplo cômodo com palhas de coqueiro, no qual as pessoas compareciam para fazer oferendas e adorar a imagem.  Religiosos e conscientes de seu papel, Manoel Dias de Assunção e sua mulher  Joana Tavares da Costa, proprietários da sesmaria do porto de Touros, resolveram entrar com os recursos para a construção de um pequeno templo. Corria o ano de 1799 quando deram início à edificação de uma capela com planta vinda do bispado de Olinda e Recife e dois religiosos arquitetos que ficariam responsáveis pela obra.

 

Os religiosos assumiram o comando da construção tendo como operários o povo do lugarejo que, arrancando pedras das falésias dispostas à beira-mar, e areia das dunas, não deixou faltar material ao pé da obra. De tal forma o trabalho foi desenvolvido, que no ano seguinte, 1800, a capela estava terminada.

 

Três décadas se passaram, quando a Touros chegou o  Juiz de Paz Joaquim Xavier Velozo demonstrando interesse pela elevação da capela em igreja e falando, consequentemente, na criação da freguesia de Touros. O meio mais prático que encontrou foi desmembrá-la da Paróquia de Estremoz. Esta, por ser muito extensa, podia ceder uma fatia do seu território. O caso foi levado ao Conselho Provincial, que votou a Lei Geral de 05 de setembro de 1832. Criada a freguesia, já no ano seguinte surgiu o município.

 

Monumento barroco de sóbria beleza, o templo de Touros passou por modificações e melhorias. A tradição atribui a Frei Serafim de Catana e a seu assistente, Frei Herculano, a sobriedade do aspecto arquitetônico da igreja, que foi edificada a partir de matérias primas da região, tais como madeira, cal, areia, pedra e barro. Mas as imagens que compuseram seus altares vieram, em sua grande maioria, de Pernambuco.

 

FONTE: PATRIOTA. Nilson; TOUROS – UMA CIDADE DO BRASIL; Departamento de Imprensa; Natal-RN – 2000.



Escrito por Nilson Patriota às 22h43
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