PRIMÓRDIOS DA AVIAÇÃO (101 anos do vôo de Santos Dumont)
Alguns outros aeronautas disputaram a primazia do primeiro vôo. Entre estes, Gabriel Voisin, Luois Blériot, Trajan Vuia, Henry Ferman, Wilbur e Orville Wrigth. Hoje, entretanto, sem dúvida sabemos que ao inventor brasileiro Alberto Santos Dumont se deve o feito de ter realizado o primeiro vôo de um objeto mais-pesado-que-o-ar. E assim fazendo, ele foi capaz de demonstrar a viabilidade de seu projeto aeronáutico. Os jornais franceses da época encarregaram-se de transformar seu ousado feito em imorredoura glória.
Depois de estudos e tentativas, a 23 de outubro de 1906, Santos Dumont na capital da França, provou ser possível ao homem voar. Ele então pilotava uma geringonça de ferro e pano, por ele projetada e construída, batizada com o nome bizarro de 14 Bis. Tal feito, realizado num tempo em que o homem procurava tornar possível o que fora a malfada aventura de Ícaro, presente na lenda grega, acrescendo glória a seu nome e orgulho imorredouro a sua pátria, o Brasil. Seu vôo, o primeiro a ser documentado na história da aviação, tornou-se um feito do conhecimento mundial.
Antes desse vôo, Dumont havia se dedicado aos balões. Já em 1901, perante uma comissão do Aeroclube de França, Santos Dumont pilotara um balão esférico, de motor a explosão, realizando o percurso de Saint-Cloud à Torre Eifel, que foi garbosamente contornada. Dali o aeronauta levou seu artefato ao ponto de partida, garantindo a dirigibilidade dos balões.
Em 1904, porém, sua maior preocupação era poder elevar ao espaço o mais-pesado-que-o-ar, o que só seria possível, como sabemos, em 1906. Embora o 14 Bis haja se tornado famoso, foi o Demoisele, ou Libélula, frágil e delicado avião – pioneiro do modelo de asa alta usado até hoje – o que mais se popularizou. Nele, de 1907 a 1910, Dumont fez numerosos vôos.
Durante a Primeira Guerra Mundial, poucos anos depois do feito de Santos Dumont, o aeroplano, concebido para fins pacíficos, passou por constantes transformações a fim de se transformar numa arma mortífera, como tem acontecido com muitas das maravilhosas invenções do homem.